Resenha: Proibido

Autor(a): Tabitha Suzuma
Editora: Valentina
Ano: 2014
Páginas: 304
Nota: 5/5
Sinopse: Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.

Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.

Eles são irmão e irmã. Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.




"A que altura uma mosca desiste de tentar fugir por uma janela fechada? Será que o instinto de sobrevivência a leva a insistir até não ser mais fisicamente capaz, ou ela finalmente aprende, depois da enésima trombada, que não há saída? A que altura você decide que já chega?" 

Proibido da Tabitha Suzuma, vai fazer você rever todos os seus conceitos de “certo e errado”. Perceber como ainda somos preconceituosos, que ainda usamos os dogmas que nos ensinam quando criança, como desculpa para não aceitamos o amor dos outros.

Em proibido, conhecemos a história de Maya e Lochan Whitely, dois irmãos que a cinco anos assumiram o papel de “pais” dos irmãos mais novos, Willa de cinco anos, Kit de treze e Tiffin de oito. Eles assumirão essa responsabilidade desde que seu pai os largou, e com a mãe alcoólatra que nunca está em casa os dois tentam leva uma vida normal enquanto escondem a verdade da assistência social.

Mas Maya e Lochan nunca se sentirão como irmãos, sempre forão amigos, cúmplices nessa vida clandestina, então quando eles menos esperam os sentimentos que passarão a vida negando vem à tona, perturbando e tirando a paz deles, por que ambos sabem que se envolver os levarão a prisão e a perder sua família.

"Porque no final do dia, que é o que todos nós estamos tentando fazer: se ajustar, de uma forma ou de outra, tentando desesperadamente fingir que somos todos iguais." 



Inteligente, divertida, mãezona, essas palavras definem Maya. É uma garota alegre, cheia de amigos e nunca se deixar levar pelos problemas, procurar sempre ver o lado bom de cada situação que vive. Que lutar para manter sua família unida, mesmo custando a sua própria felicidade.

Tímido, inteligente, responsável, esse é Lochan. Ele assumiu o papel de “pai” dos irmãos, melhor aluno da escola, mas sua timidez e as constantes crises de pânico atrapalham sua vida, por não conseguir se comunica ou fala em público. Diferente de Maya, Lochan não tem amigos, mas única pessoa que ele tem é sua irmã e perdê-la ira destruí-lo.

"O corpo humano precisa de um fluxo constante de alimentos, ar e amor para sobreviver. Sem Maya eu perco os três. Morro lentamente."

Imagem de Pipoca Musical

Narrado em primeira pessoa, conhecemos a visão de Maya e Lochan. A narrativa é intensa, os sentimentos expostos na sua forma mais crua e verdadeira. Lochan ás vezes parece depressivo, mas quando você entende seus motivos, vai querer entra no livro para tirar sua dor, sua angústia. A capa traz uma rosa vermelha envolta por duas mãos, simbolizando o amor proibido deles. Em cada começo de capitulo tem um coração feito com arames, e quando viramos a página esse mesmo arame enfeita o livro.

"Nós não fizemos nada de errado! Como o nosso amor pode ser considerado horrível, quando não estamos fazendo mal a ninguém?"

Proibido, veio para abrir nossa mente, mostrar como somos preconceituosos, que estamos cada dia mais presos aos tabus imposto pela sociedade. Por que não podemos nos amar livremente? Por que um fator biológico é mais importante que o amor? Por que em pleno século XXI, tratamos o incesto como algo horrível, nojento? 

Mas tratamos como “normal” casais que traem, que matam o companheiro, nada disso é errado, por que para nossa sociedade, eles não estão indo contra a moral e os bons costumes, não estão pecando.

Por mais que seja ficção, não podemos ignorar que isso existe, não podemos ignorar que assim como Maya e Lochan muitas pessoas se privam de viver com quem amam por medo de represálias da sociedade. Temos que deixa os tabus e apenas viver. Seja amando seu irmão, primo ou pessoa do mesmo sexo, devemos amar e nada mais. 

Resenhado por:  Barbara 

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